Que dizer deste anime "She: The Ultimate Weapon"?
Este anime vi-o na versão francesa chamada "L'Arme Ultime", nome que às vezes aparece erroneamente escrito na internet francesa como "Larme Ultime".
Pois, de facto, é de fazer puxar pelas lágrimas a narrativa destes 13 episódios. Mas a impressão que este anime deixa é ambivalente.
Uma bela história de amor trágica e comovente? Ou antes, uma história piegas e lamechas de "rapaz encontra rapariga"? Ou como disse o poeta Fernando Pessoa: "todas as cartas de amor são ridículas". Admitamos que o amor parece ser sempre rídiculo para quem não o vive e passemos adiante.
Fui atraído para este anime sobretudo pelo facto de ser também uma história de ficção-científica. Mas quando visionei estes dvd's pela primeira vez a impressão inicial não foi lá muito favorável.
Para lá do "design" algo simplista fiquei inicialmente confuso com a estranha luminosidade diurna que parecia inundar todas as cenas do filme, principalmente as desenroladas de dia e ao ar livre. Luminosidade que às vezes parecia mais ser uma estranha neblina luminosa.
Eu sabia que esta luminosidade não podia ser pintada por mão humanas e por isso incialmente tomei esta luminosidade como sendo o resultado de um defeito de cópia feita para esta edição francesa dos Dvd's.
Só recentemente descobri que esta luminosidade era uma inovação visual tecnicamente criada por computador. Uma inovação criada pelos estúdios Gonzo. Uma produtora japonesa de anime que tem usado a informática para criar novos efeitos visuais nos seus animesm nestes últimos anos.
E não me refiro a imagens 3D do género dos estúdios americanos da PIXAR. Devo reconhecer que esta luminosidade ajuda a criar um aspecto menos "artesanal" e um ambiente mais realista neste anime, malgrado o seu "design" algo simplista.
Ao assistirmos a estes anime será importante reparar nos pequenos pormenores principalmente no decurso dos diálogos das personagens.
O primeiro episódio começa com uma cena de rapazes e raparigas em uniforme escolar a caminho do liceu. Nada mais banal.
Mas numa cena posterior, quando vemos 3 rapazes do liceu a conversar no pátio da escola, ouvimos um deles a comentar que não há muito que fazer numa pequena cidade de província e que é uma pena que os telemóveis e a internet estejam inactivos.
É aí que percebemos que algo de anormal se passa. Uma cidade japonesa sem telemóveis e internet?
Mais adiante ficamos a saber que o Japão está em guerra contra um ínimigo que nunca é claramente identificado e que a tal cidade de província está isolada do resto do mundo sem saber ao certo o que se passa noutros lugares do país.
Neste ambiente paradoxal de "país em guerra, mas cidade tranquila" se desenrolam as vidas aparentemente normais de alguns dos adolescentes de liceu a viverem os seus amores; entre os quais o rapaz Shu e a rapariga Chise.
Para estes o namoro começa com a escrita de um "diário de amor" em que um dos dois vais escrevendo alguma coisa e depois dá o caderno ao outro que deverá escrever também algo no dia seguinte e assim por adiante numa troca diária do mesmo diário. Não sei se é mesmo assim que os adolescentes japoneses fazem quando namoram, mas soa melhor do que escrever cartas de amor pelo correio.
Na segunda parte da série vemos que a segurança desta pequena cidade de província de Hokkaido (a ilha norte do Japão) era afinal apenas ilusória.
Ficamos a saber que o país já está destruído na sua maior parte sem que os habitantes da cidade, isolados pelas autoridades militares, se tenham apercebido de grande coisa. Porque é que estava isolada a cidade?
Isto é segredo que deixo para quem chegar a ver a série.
Uma cena passada numa aldeia de pescadores próxima da cidade ouvimos um pescador a dizer a outro que já nem vale a pena ir ao mar, que já não se encontra peixe no mar.
Mais para o final ficamos a saber que a própria terra, todo o planeta está totalmente devastada e que toda a genter quer agora fugir para a "última cidade do mundo". A cidade de Shu e Chise.
E para culminar, vemos no 13.º e último episódio uma das mais impressionantes e bem elaboradas cenas de apocalipse final alguma vez vistas num anime.
Um fim do mundo em que os próprios céus, a própria terra e o próprio mar à volta da cidade aparecem abalados nas suas fundações e vemos o fim dos últimos seres humanos.
Emfim, este é um anime que não se aprecia à priemeira vista mas ao qual, à segunda vista, acabamos por lhe reconhecer qualidades e uma certa originalidade.
No meu caso, só depois de deixar de passar mais um ano é que vi a série pela segunda vez e só então é que acabei por me aperceber da sua beleza e a aprender a gostar desta série.
Mas atenção, é uma série só mesmo boa para grandes sentimentalista de coração mole (como eu) ou pra grandes pessimístas futurológicos (como eu). Quem nã se encaixar nestas categorias fará talves melhor em abster-se.
Comprem antes um bom anime hentai, se estiverem para aí virados.
Comentário final: A ver com a namorada, se ela não for de tendências depressivas.