HomePage > Festivais > Festival Cannes 13:29 - 05 Sep 2010
Pesquisa Avançada
 
Pesquisa avançada
Áreas
Merchandise Orig...
Filmes
B.D. & Livros
Jogos
Miniaturas
Parceiros
Upload Gamerstek Revista PREMIÉRE Asia Cinedie Niji C7nema Cinema
Newsletter
Subscrever
Subscrever
Remover
 
Derivatives
Festival Cannes
Festival Cannes

Grandes autores e o tema da paternidade marcaram as tendências desta edição em que o vencedor foi 'L'Enfant' dos irmãos Dardenne, com o aval do júri presidido por Emir Kusturica. Os filmes portugueses na 'Quinzena dos Realizadores' ultrapassaram todas as expectativas, pois para além de um amplo destaque na imprensa internacional, arrancaram os prémios ligados à inovação, singularidade e juventude. Afinal o cinema português (ainda) tem futuro.

Elevada qualidade a nível da Competição marca em primeiro lugar esta edição 2005. A começar por Caché, de Michael Haneke (Prémio de Realização), protagonizado por Daniel Auteil e Juliette Binoche, qu eé um thriller bem estruturado, sobre o insidioso efeito que provoca numa família parisiense a recepção de cassetes anónimas sobre o seu quotidiano. São os finais abertos de Haneke talvez a razão que torna o seu cinema menos acessível ao grande público. Broken Flowers, de Jim Jarmuch (Grande Prémio), é uma charmosa comédia agridoce com Bill Murray novamente numa grande interpretação, no seu estilo minimalista e de expressividade silenciosa, dando rosto a um D. Juan de meia-idade que enceta uma viagem à procura de um filho desconhecido. Além de Murray, debutam um elenco notável de actrizes, Sharon Stone, Jessica Lange, Tilda Swinton, Chloe Sevigny, Julie Delpy, e o actor Jeffrey Wright. Os irmãos Dardenne regressaram à competição novamente para ganhar (Rosetta foi Palma de Ouro em 1999), com L'Enfant, mais um filme de matriz sociológica, acerca de um jovem casal de adolescentes que rejeita a paternidade (Palma de Ouro 2005).

REGRESSO DOS CONSAGRADOS

Estiveram na competição um conjunto de realizadores que, não tendo sido premiados, apresentaram obras marcantes. Primeiro David Cronenberg, com o seu A History of Violence, sobre a história de uma família ameaçada pela violência, desfazendo a sua harmonia e bem-estar, com Viggo Mortensen e Maria Bello. Um grande ensaio sobre a violência e um filme preferido do público segundo a sondagem da Mediatrie. Lars Von Trier regressou também Manderlay, mais uma provocação anti-americana e sequela de Dogville, agora centrada na questão da escravatura, na discriminação racial e na pena de morte. Novamente o hangar, com marcações no chão, serviu de plateau a um elenco que tem na generalidade a continuidade dos mesmos de Dogville, Jean-Marc Barr, Lauren Bacall, ao qual se juntaram William Dafoe, Danny Glover, Isaach de Bankolé, mas com a principal excepção da protagonista Grace, interpretada agora pela jovem Bryce Dallas Howard (A Vila). Depois da Palma de Ouro de há dois anos com Elephant, Gus Van Sant, regressou com Last Days, um registo subtil do calvário de um músico inspirado no rocker Kurt Cobain, líder dos Nirvana, e interpretado visceralmente por Michael Pitt. veteranos nestas andanças e na Competição, o israelita Amos Gitai apresentou Free Zone, um ensaio sobre a convivência entre as culturas e os conflitos no Médio Oriente, protagonizado por três mulheres: uma americana (Natalie Portman), uma israelita (Hana Laszlo, Prémio de Interpretação Feminina) e uma palestiniana (Hiyam Abbas), e Wim Wenders, com Don't Came Knocking, que com Sam Shepard regressa às paisagens do Midwest Americano para contar um terna história de reencontro de um decadente actor de westerns com as suas raízes e descendência.

DECEPÇÕES e PRETENSÕES

Apresentado na imprensa francesa antes do início do Festival, com pretensões a génio, regressou o mexicano Carlos Reygadas (Japon), com o seu Batalla en el Cielo, um filme muito questionado pela arriscada representação sexual dos actores (Anapola Mushkadiz, Marcos Hernadez, Berta Ruiz), numa história que mistura crime, rapto de crianças e as libertinagens de uma menina rica com o seu motorista. A competição deu lugar ainda algumas decepções: Dominik Moll (Harry, Um Amigo Ao Seu Dispor), com Lemming, uma abertura académica onde se salva a interpretação de Charlotte Rampling; Johnny To, o incansável realizador de Hong Kong, expôs em Election, uma versão apressada de um filme de gangsters na escolha de um líder no seio das tríades chinesas, que remete para a trilogia O Padrinho. Tal como em O Padrinho, espera-se um sequela para breve. O canadiano Atom Egoyan, em Where the Truth Lies, não conseguiu mais do que arrancar duas excelentes interpretações a Kevin Bacon e Colin Firth e, pelo contrário, uma má escolha de Alison Lohmann, no papel da jornalista que investiga a estranha separação de uma dupla célebre de stand up comedy dos anos 70. Marco Tullio Giordana (A Melhor Juventude), em Quando Sei Nato Non Poui Più Nasconderti, apresentou um filme onde as boas intenções não chegam, tal como o coreano Hong Sang-soo (La Femme Est l'Avenir de L'Homme), com Conte de Cinéma, duas histórias de cinema, dentro do cinema confusas em termos narrativos.

NOVATOS E PEQUENOS

Tommy Lee Jones (Prémio de Melhor Interpretação Masculina) foi o responsável por uma das melhores longas-metragens a concurso, e na interpretação de The Three Burials of Melquiades Estrada. O argumento de Guillermo Arriaga (21 Gramas) é magnífico, numa história de crime e redenção na fronteira entre o México e os EUA, e valeu-lhe também o prémio na categoria. O arménio Hiner Salem (Vodka Lemon), com Kilomètro Zero, não chegou a ser uma desilusão num filme centrado na relação de dois homens, um curdo e um iraquiano em pleno conflito Irão-Iraque em 1988. Nos filmes orientais e de produção mais pequena, notas para Shangai Dreams (Prémio do Júri), a confirmação de Wang Xiaoshuai (Bicicleta de Pequim) com um dos melhores realizadores chineses da nova geração, Three Times, de Hou Hsiao-hsien (Millenium Mambo), de Taiwan, e de Bashing, do japonês Masahiro Koayashi, filmes que demonstram bem a vitalidade do cinema asiático e uma presença forte nos festivais internacionais. Por último, Peindre ou Faire L'Amour, dos francese Arnaud e Jean-Marie Larrieu, uma subtil comédia de costumes sobre swing, protagonizado por Daniel Auteuil, Sabine Azéma, Amira Casar e Sergi López, que aparece um pouco descontextualizado nesta competição.

ESPECTÁCULOS e DOC's

Obviamente Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith foi um espectáculo mediático fora e dentro do ecrã no dia da sua estreia mundial. Embora em menor dimensão, o espectáculo começou antes com Match Point, de Woody Allen, um thriller que cruza o universo de Hitchcock e de Patricia Highsmith, num regresso do realizador à sua melhor forma, depois de Crimes e Escapadelas. Rodado em Londres, Match Point é servido por um fabuloso elenco: Scarlett Johansson, Jonathan Thys-Meyers, Emily Mortimer e Brian Cox. Em competição, seria certamente um dos grandes candidatos à Palma de Ouro. No melhor do cinema coreano, A Bittersweet Life, de Kim Jee-wonn, é uma história de vingança e acção dirigida pelo realizador de A Tale Of Two Sisters, que com Park Chan-wook compõe a 'nova vaga' coreana. Chromophobia, de Martha Fiennes (Onegin), é um ensaio sociológico sobre a sociedade britânica e sobre questões contemporâneas tão prementes e universais como a corrupção na política e nos negócios, a pedofilia, os limites para o jornalismo de investigação, com um elenco notável: Ben Chaplin, Penélope Cruz, Ralph Fienes, Ian Holm, Rhys Ifans, Damian Lewis, Kristin Scott Thomas. Neste contexto, destaque ainda para Kiss Kiss, Bang Bang, uma bela homenagem aos filmes negros da série B com muita acção, escrito e realizado por Shane Black (o argumentista da saga Arma Mortífera, O Último Grande Herói), que se estreia atrás das câmaras, fazendo regressar ao convívio com os espectadores actores como Robert Downey Jr., Val Kilmer ou a revelação da bela Michelle Monaghan. Quanto aos documentais, destaque para Midnight Movies: From the Margin to the Mainstream, de Stuart Samuels, uma homenagem aos clássicos de meia-noite (El Topo, Night of the Living Dead, The Harder They Come, Pink Flamingos, The Rocky Horror Picture Show e Eraserhead), John Cassavetes, de André S. Labarthe, integrado numa homenagem ao realizador responsável pelos lançamentos em DVD de 'Cinéma de Notre Temps', James Dean: Forever Young, de Michael J. Sheridan, comemorando os 50 anos do falecimento do actor, e Moments Choisies des Histoire(s) du Cinema, de Jean-Luc Godard, um documento que antevê uma grande retrospectiva, programada para o Outono no Centro George Pompidou em Paris.

UM MUNDO DE CINEMA

É o conceito da secção 'Un Certain Regard', que cresce ano a ano. Foram apresentados cerca de 21 filmes em competição, para apreciação de um júri presidido pelo realizador Alexandre Payne (Sideways), e marcada pela presença de alguns consagrados como François Ozon, com Le Temps Qui Reste, o coreano Kim-Ki-duk, com Hwal, e Alain Cavalier, com Le Filmeur, num ensaio cinematográfico sobre a sua própria vida e obra. Destaque depois para dois vencedores: Moartea Domnului Lazarescu, de Cristi Puiu (Prémio 'Un Certain Regard'), um filme negro sobre o sistema de saúde na Roménia, e La Terre Abandonnée, um filme do Sri-Lanka, dirigido por Vimukthi Jayasundara (Câmara de Ouro ex aequo com Me and You and Everyone We Know, de Miranda July, dos EUA, da Semana da Crítica), co-produzido pela Contracosta do produtor português Francisco Vila-Lobos. Revelações com lugar em breve no circuito comercial são Sangre, do mexicano Amat Escalante, e os dois independentes norte-americanos, Down in the Valley, de David Jacobson com Edward Norton, Evan Rachel Wood, David Morse e Rory Culkin, ou The King, de James Marsh, com Gael Garcia Bernal e William Hurt.

QUINZENA DOS AUTORES

Uma das obras mais estimulantes desta maratona chama-se Wolf Creek, do australiano Greg McLean. Trata-se de um excelente thriller de terror baseado em factos verídicos e a lembrar um dos grandes clássicos do género: Massacre no Texas. Na Quinzena dos Realizadores, espaço para um olhar sobre o cinema coreano com dois filmes 'Made in Korea': Crying Fist, de Ryoo Seung-wan, sobre a história de um boxeur, e The President's Last Bang, de Im Sang-soo, um thriller político baseado em factos verídicos e sobre o assassinato do presidente da Coreia do Sul em 1979.

LANÇAMENTOS NO MERCADO

A PREMIERE deu a volta ao Mercado, recolheu folhetos, viu promos e ouviu o buzz sobre algumas novidades possíveis de estrear em Portugal: Alatriste, de Agustín Díaz Yanes, a adaptação da novela gráfica do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, com Viggo Mortensen, Eduardo Noriega e Elena Anaya, e 20 centímetros, de Ramón Salazar, um musical de cores saturadas ao estilo de Almodóvar, no elenco com Monica Cevera, Najwa Mimri e Rossy de Palma. Do cinema oriental, as novidades são muitas: The Duelist, do coreano Lee Myung-Se (uma combinação entre Disponível para Amar e O Tigre e o Dragão), Everlasting Regret, de Stanley Kwan, de Hong Kong (a adaptação de um best seller chinês intitulado Changhen Ge, passado em Xangai entre os anos 40 e 80), The Great Goblin War, do japonês Takeshi Miike, com a jovem Chiaki Kuriyama (Kill Bill: Vol. 1) numa versão oriental de Harry Potter, Riding Alone For Thousand Miles, de Shang Yimou, mais um filme do realizador chinês na linha de Herói e O Segredo dos Punhais Voadores. Alguns títulos a reter ainda são Lady Chatterley, de Pascale Ferran, numa nova adaptação do romance de D. H. Lawrence, Babel, de Alejandro González Iñárritu, com Cate Blanchett, Brad Pitt e Gael Garcia Bernal, novamente com uma série de histórias cruzadas e rodado entre Marrocos, México, Japão e Tunísia, The Tiger and the Snow, o novo filme de Roberto Benigni, Flyboys, de Tony Bill, com James Franco e Jean Reno, sobre os pilotos americanos voluntários em França na I Guerra Mundial, Hoaz, de Lasse Hallström, com Richard Gere e Alfred Molina, baseado na história verídica de Clifford Irving, o homem que convenceu o mundo de que tinha escrito a biografia autorizada de Howard Hughes, Tristram Shandy, de Michael Winterbottom, baseado num romance de Laurence Sterne, com Steve Coogan, Rob Brydon e Gillian Anderson, The Wind That Shakes the Barley, de Ken Loach, um épico sobre a Guerra Civil na Irlanda, The World's Fastest Indian, de Roger Donaldson, com Anthony Hopkins no papel de Burt Munro, o homem que bateu o recorde de velocidade em terra em 1962, e por último Paintkillersm o novo filme de David Cronenberg.

FUTEBOL E CINEMA

Pelé e Maradona estiveram na Croisette em missão diplomática. O primeiro no lançamento do seu filme biográfico Pelé Eterno, de Aníbal Massaini, o segundo para apadrinhar o novo Pavilhão/Auditório 'Cinéma du Monde'. O presidente do Júri, Emir Kusturica, para dar largas à sua paixão pelo futebol, anunciou vir a dirigir um documentário sobre 'El Pibe'. Neste Mercado do Filme, os dois maiores espectáculos e indústrias do mundo estiveram de mãos dadas com filmes com El Penalti Más Largo Del Mundo, do espanhol Roberto Santiago. Em grandes paragonas estava também Real, The Movie, um filme sobre o Real Madrid, os seus heróis e jogadores. A revista Screen International anunciava ainda mais um projecto do italiano Marco Rossi sobre a vida de Maradona, e no stand da Irlanda estava anunciado Studs, uma ficção sobre uma equipa de futebol de um meio pobre dos arredores de Dublin. African United era anunciado também como um documentário sobre uma equipa de africanos que vive na Islândia, e depois mais um filme sobre um projecto do escocês Douglas Gordon e do francês Phillippe Parreno, sobre Zinadine Zidane. Entretanto 'Zizou' já tinha passado pela competição, em Batalla en el Cielo, do mexicano Carlos Reygadas, numa cena do bordel, em que um adepto vestia a camisa nº 5 pertencente ao grande jogador francês.

 
Painel do Utilizador
Utilizador:
Password:
 
Novo Utilizador
Área: Público
Preços c/Iva
Carrinho de Compras
Jogos



Novidades
Copyright © 2004 EOL. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução dos conteúdos deste site,
na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da EOL.
Preços e especificações sujeitos a alteração sem aviso prévio. A Enaco declina qualquer responsabilidade por eventuais erros publicados no site.