HomePage > Crónicas > Daniel Antunes > K-Anime 01:20 - 09 Sep 2010
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K-Anime
O mercado mundial de animação encontra-se, actualmente, quase exclusivamente dominado pelos produtos americanos (provenientes da Disney e congéneres) e japoneses (Anime). Um produtor com muito menos visibilidade é a indústria de animação coreana. Facto desconhecido do grande público é a presença de inúmeros talentos coreanos nos bastidores de grande produções estrangeiras. Como exemplos mais recentes temos o premiado Spirited Away dos estúdios Ghibli ou mesmo a popular série norte-americana, The Simpsons. A subcontratação, permite aos animadores coreanos arranjarem trabalho, colmatando assim a falta de oportunidades no seu pais natal. O problema não é, portanto, a falta de talento ou qualificação, mas sim a falta de investimento em produções made in Coreia.

Mas estarão já os ventos da mudança a soprar na península coreana? Em 2002, assistiu-se a um grande triunfo para a Animação Coreana (K-Anime), quando o realizador de My Beautiful Girl Mari (Lee Sung-gang), ganhou o grande prémio no Festival Internacional de Annecy, um dos mais prestigiantes prémios de animação do mundo. A aclamação e reconhecimento por parte da crítica não bastou, no entanto, para cativar o público. Os 54 mil espectadores de My Beautiful Girl Mari são claramente decepcionantes quando comparados com os 2 milhões de espectadores obtidos por Hayao Myazaki, com Spirited Away , na Coreia. No entanto, este prémio parece ter servido para impulsionar uma nova vaga de produção de filme de animação tais como Oseam, Elysium e Wonderful Days.

Fica aqui um pequeno resumo dos 4 filmes:

Wonderful Days:

Wonderful Days Wonderful Days

A premissa básica por detrás do filme é que a civilização foi quase totalmente destruída pela guerra e poluição, e apenas uma cidade protegida de nome Ecoban sobrevive. Os habitantes de Ecoban, que nunca viram um céu azul, são governados por uma estrutura militar muito rigorosa que utiliza a poluição para fornecer energia. A história é contada a partir do ponto de vista de Jay, um dos líderes da unidade de segurança. Quando ela era uma criança, o seu primeiro amor, Shua prometeu-lhe que um dia iriam ver o céu azul limpo. Agora passados alguns anos, ele regressa a Ecoban, fazendo parte de uma organização terrorista, determinado a cumprir a sua promessa. Os visuais são tambêm excelentes, e nalguns casos capazes de nos tirar a respiração, tirando-nos a atenção sobre a história. As paisagens exteriores, com elementos de ambiente realisticos, fazem um trabalho impressionante por nos fazerem sentir dentro deste mundo. A quantidade massiva de detalhes presente em todos os planos, mostra que as pessoas que trabalharam neles investiram muito para os tornar espectaculares.

A combinação de elementos 3D e 2D é feita com muito sucesso. Este pode muito bem ser o Akira que animação Coreana tem tentado fazer estes últimos anos.

My Beautiful Girl Mari:

My Beautiful Girl Mari My Beautiful Girl Mari

My Beautiful Girl Mari apresenta-se com um bom balanço entre realismo e fantasia expressionista , e foi criado usando software simples como o 3D Studo Max, Adobe Premiere e Photoshop.

Com técnicas de animação muito suit generis , que se distinguem das animações japonesas ou Disney, mesmo indo buscar inspiração a outros animes, (tais como o anime do japonês Isao Takahata, com Grave of Fireflies), o ambiente nostálgico tipicamente Coreano sempre presente torna o primeiro filme de Lee Sung-kang um sucesso. Nam-woo vive numa cidade à beira mar, com mãe viúva. Ele sofre pois todas as pessoas próximas dele morrem ou estão para morrer. A sua avó está doente e o seu melhor amigo está de partida para Seoul para onde vai estudar. Com técnicas de animação muito suit generis , que se distinguem das animações japonesas ou Disney, mesmo indo buscar inspiração a outros animes, (tais como o anime do japonês Isao Takahata, com Grave of Fireflies), o ambiente nostálgico tipicamente Coreano sempre presente torna o primeiro filme de Lee Sung-kang um sucesso. Nam-woo vive numa cidade à beira mar, com mãe viúva. Ele sofre pois todas as pessoas próximas dele morrem ou estão para morrer. A sua avó está doente e o seu melhor amigo está de partida para Seoul para onde vai estudar.

Para escapar desta dura realidade, ele sonha acordado com um lugar fantástico, onde uma rapariga de nome Mari vive. As suas fantasias ficam cada vez mais recorrentes e inclusivé ajudam-no a ultrapassar alguns problemas sérios. Agora um adulto Nam-woo reflecte sobre o tipo de impacto que Mari e o seu mundo tiveram no crescimento dele enquanto ser humano. O filme captura com subtileza e beleza o período confuso que é a adolescência, e a percepção sobre o mundo adulto, a atracção pelo sexo oposto, a perda de inocência e o medo da mudança que vida trás sempre.

Um tema bem explorado como em filmes como O Feiticeiro de Oz e Totoro de Hayao Miyazaki. My beautiful Girl Mari, apela tambêm a uma audiência mais adulta pela perspectiva que traz, um olhar sobre a infância de um ponto de vista adulto. Um trabalho notável que chamou a atenção da indústria sobre a animação feita na Coreia e abriu as portas a outras produções.

Elysium:

Elysium Elysium

A animação é completamente digital. A história - acerca de uma invasão extraterrestre que ameaça destruir o mundo - é apenas uma pretexto para poder mostrar guerreiros mecânicos em luta. Os robots, cavaleiros futuristas com uma relação simbiótica com os seus condutores (fazendo lembrar o anime Evangelion) estão espectaculares. Já os humanos nem por isso... As quatro personagens que se juntaram pelas suas habilidades especiais, têm menos profundidade que os seres mecânicos que comandam.

Apresentado pela primeira vez em Portugal, na edição de 2003 do Fantasporto, o público alvo situa-se numa faixa etária mais jovem , onde um bom murro vale mais que mil palavras. Para quem procura o género ficção científica complexo mais adulto não é aqui que vai satisfazer esse desejo.

Um regalo visual que não se equipara ao seu congénere coreano: Wonderful Days, nem a Final Fantasy: The Spirits Within.

Oseam:

Oseam Oseam

Um poeta e contador de histórias, Jeong Chae-Bong foi pioneiro, num novo género chamado "Contos de fadas para adultos" com publicações tão populares que chegaram a ser traduzidos para francês e alemão. Oseam é um conto de fadas acerca de uGilson, um menino de 5 anos, que vai à procura da sua mãe. Com a sua irmã cega (Gami), que é a única pessoa que tem no mundo, os irmãos vão para um templo budista.

Querendo ver a sua mãe, mesmo apenas por instante, Gilson segue um monge até um templo numa montanha, para aprender a ver com a sua mente. "Se eu desejar com todo o meu coração, a minha mãe vai regressar para me ver!" Desde a sua publicação em 1983, o livro já vendeu mais de 100 000 cópias na coreia. O filme é uma óptima adaptação deste conto coreano. O que ainda falta à indústria de animação coreana é um grande sucesso capaz de mobilizar as atencoes e imaginário do grande público e assim catalizar uma renovada projeccao deste produtor promissor.

O mercado continua atento ao embate entre animação japonesa e coreana, e quem decerto vai ganhar são os fãs :)
Daniel Lemos Antunes
01.2004
 
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