Tem 45 anos. Nasceu numa pequena aldeia nas montanhas e mudou-se
para os arredores de Seul ainda na infância. Começou por estudar
agricultura e, depois de três anos de serviço militar obrigatório
na Marinha, dedicou-se à pintura. Na década de 90, à custa de umas
modestas economias feitas com o trabalho fabril e os quadros, decidiu
viajar até à Europa (Finlândia, Grécia, Alemanha...), instalando-se uns
tempos em França, arredores de Montpellier. Foi aí que Kim Ki-duk
parece ter descoberto o cinema, ao mesmo tempo que ia vendendo os seus
quadros pelas ruas. Revigorado e de espirito mais aberto por esta experiência
europeia, regressou à Coreia decidido a entrar no meio do cinema e
participando em concursos de argumento. Escreveu vários guiões
(Painter and Prisoner, Legal Crossing), alguns deles premiados,
até conseguir realizar o seu primeiro filme, Crocodile (1996). Apresentado
em vários festivais internacionais, garantiu-lhe, logo à partida, um
estatuto de cineasta-autor e um lugar de destaque na cinematografia
Coreana, que os seus fimes seguintes, Wild Animals (1997) e Birdcage
em (1998), só viriam comprovar. E não mais parou. Depois de O Bordel do Lago
(2001), fez ainda Real Fiction (2000) e Adress Unknnown (2001), este
último talvez o seu filme mais autobiográfico. Em 2001 tem o seu primeiro
grande sucesso comercial com Bad Guy, que fez 700.000 espectadores na
Coreia, um flme controverso onde aborda o tema da prostituição. Estreou
recentemente em Portugal o incontornável Primavera, Verão, Outono, Inverno..
e Primavera, produzido em 2002, tal como Coast Guard. 2004 foi o seu
ano de eleição, ao arrancar o Urso de Prata na Berlinale com Samaritan
Girl é o prémio de Realização em Veneza com Bin-jip.
INFLUÊNCIA
As suas personagens, aparentemente frias e de uma violência incontrolada,
fazem lembrar a Takeshi Kitano. Tal como acontece com o cineasta japonês,
o drama, humor, violência e a humanidade, em todas as suas amplas
contradições e sensibilidades, estão no centro das suas preocupações
narrativas. Embora com alguma rigidez estética, o seu cinema não sofre
de excessos de maneirismos sangrentos e viscerais. Já referiu várias vezes
que as suas referências autorais são diversas e estão em filmes como
Instinto Fatal, O Silêncio dos Inocentes, O Amante ou
Diva e Os Gangsters.
IMAGEM
Tal como Hong Sag-soo, é um dos cineastas coreanos “mais europeus”
no sentido do autor propriamente dito. É um dos mais ferozes cineastas
independentes da Coreia, preferindo trabalhar de maneira autónoma aos
circuitos de produção Tradicional. Guarda para si a total liberdade de
criação e produção das suas obras, e não se tem dado mal pois, além dos
prémios, Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera ou Bad
Guy são exemplos de um razoável sucesso comercial de cinema de autor.