HomePage > Crónicas > José V. Mendes > Kim Ki-Duk 14:05 - 30 Jul 2010
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Kim Ki-Duk
Kim Ki-Duk

IDENTIDADE

Tem 45 anos. Nasceu numa pequena aldeia nas montanhas e mudou-se para os arredores de Seul ainda na infância. Começou por estudar agricultura e, depois de três anos de serviço militar obrigatório na Marinha, dedicou-se à pintura. Na década de 90, à custa de umas modestas economias feitas com o trabalho fabril e os quadros, decidiu viajar até à Europa (Finlândia, Grécia, Alemanha...), instalando-se uns tempos em França, arredores de Montpellier. Foi aí que Kim Ki-duk parece ter descoberto o cinema, ao mesmo tempo que ia vendendo os seus quadros pelas ruas. Revigorado e de espirito mais aberto por esta experiência europeia, regressou à Coreia decidido a entrar no meio do cinema e participando em concursos de argumento. Escreveu vários guiões (Painter and Prisoner, Legal Crossing), alguns deles premiados, até conseguir realizar o seu primeiro filme, Crocodile (1996). Apresentado em vários festivais internacionais, garantiu-lhe, logo à partida, um estatuto de cineasta-autor e um lugar de destaque na cinematografia Coreana, que os seus fimes seguintes, Wild Animals (1997) e Birdcage em (1998), só viriam comprovar. E não mais parou. Depois de O Bordel do Lago (2001), fez ainda Real Fiction (2000) e Adress Unknnown (2001), este último talvez o seu filme mais autobiográfico. Em 2001 tem o seu primeiro grande sucesso comercial com Bad Guy, que fez 700.000 espectadores na Coreia, um flme controverso onde aborda o tema da prostituição. Estreou recentemente em Portugal o incontornável Primavera, Verão, Outono, Inverno.. e Primavera, produzido em 2002, tal como Coast Guard. 2004 foi o seu ano de eleição, ao arrancar o Urso de Prata na Berlinale com Samaritan Girl é o prémio de Realização em Veneza com Bin-jip.

INFLUÊNCIA

As suas personagens, aparentemente frias e de uma violência incontrolada, fazem lembrar a Takeshi Kitano. Tal como acontece com o cineasta japonês, o drama, humor, violência e a humanidade, em todas as suas amplas contradições e sensibilidades, estão no centro das suas preocupações narrativas. Embora com alguma rigidez estética, o seu cinema não sofre de excessos de maneirismos sangrentos e viscerais. Já referiu várias vezes que as suas referências autorais são diversas e estão em filmes como Instinto Fatal, O Silêncio dos Inocentes, O Amante ou Diva e Os Gangsters.

Spring, Summer, Fall, Winter...and Spring Samaria

IMAGEM

Tal como Hong Sag-soo, é um dos cineastas coreanos “mais europeus” no sentido do autor propriamente dito. É um dos mais ferozes cineastas independentes da Coreia, preferindo trabalhar de maneira autónoma aos circuitos de produção Tradicional. Guarda para si a total liberdade de criação e produção das suas obras, e não se tem dado mal pois, além dos prémios, Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera ou Bad Guy são exemplos de um razoável sucesso comercial de cinema de autor.

José V. Mendes (Editor)
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