HomePage > Entrevistas > Takashi Miike 01:25 - 09 Sep 2010
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Takashi Miike
Takashi Miike

Entrevista efectuada a Takashi Miike, um dos maiores ícones do cinema nipónico. Takashi Miike debutou no cinema com Shinjuku Kuroshakai em 1995, e desde então tem sido sempre uma carreira non-stop. Algumas das suas obras mais notáveis são Audition, Dead or Alive e o magnífico Ichi the Killer. Quem vê os seus filmes, não imagina que Takashi Miike é uma pessoa extremamente afável.

Bruno: Antes de mais, queria que me dissesses quais são as maiores diferenças entre o cinema de horror Japonês e o Americano?

Takashi Miike: Deixa-me só agradecer-te pelo facto de estares a levar as minhas palavras a Portugal, um país que eu acredito que é maravilhoso. Olá Portugueses (gargalhadas)! Em relação à tua pergunta, isso tem muito a ver com a opinião pessoal de cada um. Pessoalmente, eu acredito que, até cerca de meados dos anos 90, os filmes de horror Japoneses eram fortemente influenciados por todo o cinema Americano, mas acho que agora os papéis se inverteram. Pessoalmente, acredito que no Japão se faz actualmente um cinema de horror muito superior ao Americano. Podes ver isso facilmente pelo facto de os melhores filmes de horror Americanos dos últimos anos serem remakes de filmes Japoneses.

Bruno: A crítica Norte-Americana geralmente cataloga os teus filmes como perversos e isso leva-me a uma nova pergunta. Acreditas que pode haver beleza no grotesco e na perversidade?

Miike: Sinceramente, eu não ligo nada ao que diz a imprensa estrangeira acerca dos meus filmes, pois eu acredito que somente os Japoneses, ou quem conheça a cultura Japonesa, os pode perceber. Por exemplo, em " Audition ". O que se passa naquele filme em relação ao comportamento dos produtores e das outras personagens, é assim na vida real. A cara e a postura das jovens japonesas transmitem uma candura e um sentimento de inocência muito grande, mas nada te diz que essa rapariga não está a pensar em qual é a melhor forma de te despedaçar aos bocados. A raça Japonesa pode ter essas ambiguidades. As pessoas têem uma ideia pré-concebida acerca da maneira como as coisas devem ser, e a maneira como eu filmo é a minha visão da vida.

Takashi Miike Audition

Bruno: Os teus filmes são a conjugação de dois géneros que tu dominas na mestria: o cinema yakuza e o cinema de horror. O que é que tu esperas alcançar com esta mistura destes dois géneros?

Miike: Trabalho dessa maneira pois acho que esses dois estilos combinados oferecem enormes possibilidades acerca daquilo que se pode fazer, não te limitando a um só estilo.

Bruno: Qual achas que é a explicação para o facto de o cinema de horror japonês ser tão popular na América actualmente?

Miike: Eu não consigo perceber isso, assim como os outros realizadores japoneses não percebem. Acho que é o facto de as emoções que nós conseguimos transmitir serem muito pesadas. São filmes muito intensos, e isso é algo de novo para a plateia americana.

Bruno: Existe alguma coisa que tu serias incapaz de abordar num dos teus filmes?

Miike: Bem, podes ficar um pouco desapontado com isto, mas uma dessas coisas era uma acidente de carro. É uma coisa que acontece sem aviso prévio e que de repente te pode matar ou deixar aleijado para o resto da vida. Acho que os maiores horrores, são aqueles que se podem ver na vida diária.

Bruno: Para finalizar esta entrevista, como é que achas que ficaria um filme mainstream de Miike?

Miike: Não muito bem, acho eu (gargalhadas). Bem, há o One Missed Call que foi considerado um filme mainstream porque foi rodado com um grande orçamento e teve uma estreia em muitas salas no Japão. Mas, sinceramente, acho que o mainstream ainda não está preparado para mim (gargalhadas).

Bruno: OK Takashi. Obrigado por esta entrevista. Há alguma coisa que queiras dizer aos teus fãs em Portugal, que eu sei que são muitos?

Miike: Vejam muito cinema Japonês. Há todo um mundo novo à espera de ser descoberto.

Espero que tenham gostado desta curta entrevista, onde o universo de Miike foi um pouco revelado. Mas, como devem imaginar, uma conversa com alguém como Miike pode durar as horas que forem, e, mesmo assim, algo ficará por dizer.

Espero que tenham apreciado. Até ao próximo mês.

Bruno A. F. Patatas
 
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