A animação japonesa vai novamente ser re-inventada.
O novo trailer de G.I.T.S. Innocence foi finalmente lançado e qualquer
pessoa pode ver que ali, aquelas imagens, fazem parte daquele que será
sem dúvida, um dos maiores filmes de Ficção-Científica alguma vez
feitos. Tive a sorte de assistir a um screening privado de Innocence de
20 minutos na Production I.G ., e só posso dizer que as repercussões do
filme na animação japonesa serão sem dúvida iguais (ou mesmo superiores)
ao original.
Aquilo que tinha sido experimentado a sério pela primeira vez em Blood
The Last Vampire (combinação de cenários 3DCG com personagens desenhadas
à mão) atinge em Innocence uma perfeição impressionante e G.I.T.S
Innocence (2004) superior a tudo aquilo que tenha sido feito até à data,
quer no Japão, quer no exterior. Esta fusão de técnicas permite aos
artistas e ao realizador trabalhar com planos de câmara perfeitamente
assombrosos, conseguindo assim um nível de envolvência que vai arrebatar
todos aqueles que virem o filme. A Production I.G. está tão confiante
que o filme irá ser um sucesso, que nos bastidores já se rumoreia acerca
de um possível G.I.T.S. 3. O Anime está a passar por uma fase extremamente
frutífera e criativa. Dezenas de séries novas são lançadas todos os meses.
Mas, o mais importante, é que a grande maioria tem uma qualidade
impressionante. Séries como G.I.T.S Stand Alone Complex, Last Exile,
RahXephon, todas elas trouxeram um brilhantismo e uma profundidade ao
Anime como já não se via desde Evangelion.
Mais do que nunca, a animação japonesa tem que se desenvolver, quer a nível
técnico, quer a nível narrativo, pois a concorrência chegou.
Não vinda dos E.U.A. (pois não considero a Disney uma rival do Anime),
mas sim de um vizinho bem perto, a Coreia do Sul. Wonderful Days, assim
se chama o projecto que anda na cabeça dos executivos de Anime japoneses.
Quem tiver visto algumas imagens (ou mesmo animações) já pode ver a qualidade
técnica de Wonderful Days. E não, os cenários não foram construídos em 3D
por computador. São miniaturas extremamente realistas que os artistas por
trás de W.D. esculpiram e trabalharam com um detalhe impresionante,
levando a minuciosidade a um novo extremo. E os resultados estão à vista.
Mas não se pense que os japoneses se deixaram abater. De facto, todo o
cinema japonês vive neste momento uma época grandiosa. E finalmente, o
mundo ocidental está a dar-se conta do Japão e da cultura japonesa.
Depois da vitória de Hayao Miyazaki com Sen to Chihiro no Kamikakushi
(A Viagem de Chichiro) nos Óscares deste ano e do reconhecimento de
Takeshi Kitano no Festival de Veneza, os japoneses têm todas as razões
para estarem orgulhosos. E vem aí um filme, que apesar de não ser nipónico,
vai revelar um pouco mais desta cultura ao ocidente, The Last Samurai. Para
já não falar de Kill Bill de Quentin Tarantino, uma ode ao mestre japonês
Kinji Fukasaku. Falando em Kinji Fukasaku, eis que chega Battle Royale II.
Assisti à estreia (já há alguns meses) nos cinemas Toei Palace em Shinjuku
e só vos posso dizer que é um filme absolutamente arrebatador. Apenas vem
confirmar que o cinema de acção asiático (nomeadamente o nipónico) tem uma
qualidade absolutamente superior ao que se faz no ocidente.
E, por vos falar em qualidade, falo-vos da Gainax. Depois de uma época em
que francamente estiveram um pouco em baixo, eles vão voltar com Neon
Genesis Evangelion Project [re]. Apesar do projecto ainda estar um pouco
em bruto, já dá para se fazer uma pequena ideia da qualidade (gráfica) que
irá ter. Este projecto tem a curiosidade de estar a ser desenvolvido em
conjunto com a Weta Workshop, nomeadamente com os artistas Christian
Pearce (mecha design), Cameron Small e Gus Hunter (cenários) e Ben Wootten
(personagens). Apesar de achar que pode sair algo de grandioso desta
colaboração, não posso deixar de ficar um pouco apreensivo, pelo facto de
estar a ter um envolvimento directo com uma empresa estrangeira (os resultados
de uma união semelhante deu como fruto Final Fantasy: The Spirits Within).
Compreendem agora a minha apreensão?
Tollywood (uma sala de cinema alternativo de Tokyo), foi o palco de uma
retrospectiva dos trabalhos de Makoto Shinkai. Para quem não o conheça, este
desenhador, animador, realizador (entre outras coisas) está a ser um dos
maiores fenómenos da animação no Japão actualmente, e já se fala nele
como o sucessor de Hayao Miyazaki.
Acabou de sair uma nova DVD-BOX de Evangelion. Esta edição limitada de
3.000 exemplares contém todos os episódios da série, e possui um aspecto
visual impressionante, visto que a caixa é feita de plástico translúcido
vermelho com o logotipo da N.E.R.V. gravado a relevo prateado. Um mimo
ao alcance de todos aqueles que estiverem dispostos a desembolsar 8.000 Yenes.
Está à venda a Nausica Deluxe Collector´s Box, que está recheada de items
raros para os fãs de Miyazaki. Para além do DVD e uma caixa de DVD feita
em tecido almofadado criada pelo próprio Miyazaki-san, contém também uma
edição limitada em cerâmica da figura de Nausicaa, uma réplica extremamente
detalhada de Ohmu e uma pintura magnífica de Nausicaa criada por Miyazaki
especialmente para esta edição.
Saiu um novo calendário de mesa para 2004 que inclui absolutamente fabulosas
recriações dos carácteres de Totoro baseado numa cena do famoso
filme de Miyazaki. Trata-se de uma réplica em cerâmica do Nekobus (aka
Catbus or Cat Bus) com Mei no seu interior, e os três Totoros a observar.
Inclui um extremamente detalhado sinal de bus stop (retirado também do filme),
uma belíssima base assim como um suporte em vidro para as páginas do
calendário. Isto é um item extremamente fantástico. Todos os detalhes dos
três Totoros e do Nekobus estão perfeitamente visíveis, incluindo o
extremamente detalhado sinal de bus stop para o Shichikokuyama Hospital.
No próximo mês irei falar-vos da nova obra-prima de Katsuhiro Otomo,
denominada Steam Boy. Irei também dar-vos um apanhado acerca do que se
pensa na indústria do Anime em relação a uma eventual colaboração entre
o Studio Ghibli de Hayao Miyazaki e a Pixar de John Lasseter.
Uma fusão de titãs que a confirmar-se, poderá vir a dar à animação a sua
maior obra-prima.